ESCALADA ESPORTIVA OLIMPÍADAS

ESCALADA ESPORTIVA E OS PROBLEMAS PARA TÓQUIO 2020

Às vésperas do início das Olimpíadas Rio 2016, foram anunciadas as novas modalidades que entrarão no calendário do evento a partir de 2020 em Tóquio, entre elas a escalada esportiva.

Em competições mundiais o esporte é dividido em 3 modalidades:

* Lead: vias de alto grau de dificuldade, sendo o vencedor aquele que chegar mais alto. São escaladas mais longas, em que a estratégia está mais aliada a resistência e é utilizada uma corda para segurança.

*Boulder: paredes menores com a segurança feita por colchões. É caracterizado por uma movimentação mais explosiva e concentrada, destoando da modalidade de dificuldade.

*Speed: seria a modalidade que menos se aproxima da escalada propriamente dita, além de ter o menor número de praticantes. Ganha quem chega mais rápido ao final da parede, sendo sempre as mesmas agarras nas mesmas configurações/disposições e inclinação da parede.

No entanto, a partir da divulgação do formato definido pelo COI, muitos atletas se manifestaram de forma contrária. Isso porque a confederação decidiu por apenas uma premiação para as três modalidades. O vencedor será aquele que tiver a melhor média nas três provas.

Adam Ondra, considerado um dos maiores nomes da escalada mundial e único atleta a vencer um mundial de escalada nas categorias Lead e Boulder no mesmo ano, deu uma entrevista recente a EPICTV abrindo inclusive a possibilidade de boicote do evento: “ Não posso concordar completamente porque acredito que a escalada de velocidade é uma espécie de esporte artificial pois eles escalam em uma via igual sempre e isso não tem a ver com a filosofia da escalada. Se for assim, juntando todas as vertentes e com a soma de pontos entre elas, eu terei que pensar profundamente se irei participar ou boicotar as Olimpíadas”.

Para o atleta brasileiro Rafael Passos, considerado em 2014 o terceiro melhor escalador de Boulder do Brasil, “o formato é um desastre, é o mesmo que colocar o Bolt para correr 100 metros, uma meia maratona com obstáculos e uma maratona para disputar um título só. As modalidades são muito distintas”.

Felipe HO, a promessa brasileira para as Olímpiadas 2020, completa: “A escalada de velocidade tem sim sua beleza, porém distancia-se muito da essência do esporte. A meu ver a mecanização (simples execução motora dos movimentos) não deve ser protagonista em um esporte tão complexo. ”

No Brasil, a escalada ainda está engatinhando. Não existem brasileiros no top 40 do ranking mundial e nem paredes de velocidades para que os escaladores possam treinar no país. Além do investimento no esporte ser muito baixo.

“ Temos um campeonato brasileiro, que custa muito caro para participar e como prêmios em que geralmente ganhamos só equipamentos e quando recebemos dinheiro é menos do que gastamos pra chegar até o evento, mas raramente existem premiações em dinheiro”, explica Rafael Passos.

Em um ano em que mesmo os grandes atletas, como Arthur Zanetti, perderam investimentos, e as pequenas confederações, como tênis de mesa, badminton e taekwondo, foram muito prejudicas, a esperança dos atletas é que com a inclusão do esporte no calendário olímpico, patrocínios e investimentos aumentem no país.

“Esse ano completo 12 anos de escalada e até agora não consegui ajuda de patrocinadores. Viver de escalada é muito difícil, ainda mais em um país como o Brasil em que mesmo atletas olímpicos não recebem o devido amparo. Acredito que a Olimpíada será uma boa maneira da escalada conquistar espaço no cenário nacional, aumentar seu número de participantes, e com isso refletir na condição de seus atletas”, finaliza Felipe Ho.

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